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Live Review: EYEHATEGOD + Church of Misery @ Camden Underworld, London

All photos by Eduardo Piloni (c) Mondo Metal. All external use must be communicated.

Camden Underworld, Londres, 26 de Junho

Domingo que é bom vem devagar, acompanhado de uma boa cerveja, amigos e música alta. E pra celebrar o dia mundial da “porranenhumisse” – após um sábado negro de riffs matadores do XII London Deathfest-, nada melhor que um dia de sludge e stoner metal fechando o final de semana no The Underworld em Camden. Os encarregados da nada árdua tarefa foram Church of Misery e EYEHATEGOD, como parte da turnê “Re-tox and Nihilism Over Europe” que passou por 13 países.

Os Japoneses de Church of Misery, banda de Tókio e um dos maiores expoentes do gênero no país, conseguiram a proeza de trazer positividade a um som obscuro de letras sombrias, que lidam com serial-killers e massacres. Culpa disso é o carisma e entrega do vocalista Yoshiaki Negishi que não parou um minuto no palco, e conseguiu arrancar sorrisos de todos, inclusive da imprensa e fotógrafos que se alinhavam para ver o show do backstage. Yoshaki esteve com a galera, recebeu de braços abertos os que ao palco lhe visitavam, e os refrões eram cantados por quem quisesse se aventurar no crowd surfing. A banda se mostrou em grande sintonia, e o seu sludge com tons psicodélicos agradou. Entre poucas palavras com um inglês não tão fluente, despediram-se com muita gratidão e reverência, e a recíproca veio do publico entre muitos aplausos.

Roadies em cena e os PA’s tocavam o melhor do jazzy-blues de New Orleans (NOLA).
EYEHATEGOD demonstra naturalmente o orgulho no peito do simples fato de ser de Nola; na atitude – não apenas como músicos – mas na maneira de viver a vida. Como o caricato vocalista Mike Williams diz: somos do sul, de New Orleans, e tocamos como vivemos, vivemos como trabalhamos… lento e pesado!

Nola é a capital do Sludge Metal mundial, com bandas como Crowbar, Down, Soilent Green, Kingdom of Sorrow, e claro, EYEHATEGOD que merece créditos como um dos, senão o grande precursor do gênero. É muito normal e quase que universal a troca de membros ou criação de projetos paralelos entre a comunidade sludge de Nola. Maior exemplo sendo Jimmy Bower, guitarrista do EYEHATEGOD e do Superjoint Ritual, também baterista do Down – que aliás tem presença confirmada para o dia 14 de Novembro no festival SWU que acontece aí no Brasil. Será a primeira apresentação deles em terras brasileiras e aqui eu deixo minha dica!

Quando todos os membros estavam já sobre o palco, Mike Williams deposita sua garrafa de Vodka perto da bateria, que viria a ser degustada no gargalo durante toda a apresentação. Enquanto a banda se sentia confortável com o palco e todos se cumprimentavam como se estivessem pra começar um jogo da NFL, Mike entretém o público com piadas esdrúchulas e até arrisca uma sátira cantando um blues acompanhado pelo baixista Gary Mader. O público grita “EYEHATE GOD EYEHATEGOD” e Mike imenda: “Por quê?… Ele não existe”.

Em clima de grande descontração, uma tiete ganha espaço, saindo do backstage. Embreagada ela rouba o pedestal de Mike e grita algo sem sentido. A banda, meio que sem saber o que fazer, manda ela fazer um stage dive, enquanto o público pede para ela tirar a blusa. Nem um nem outro, o segurança leva a garota para o backstage, não sem antes ser escrachada por Mike Williams.

Distorção e microfonia… quem conhece EHG sabe que esse é um sinal de que o som está pra começar. A reprodução ao vivo, entretanto, é perturbadora… o zunido intenso leva-nos até a descrença que aquilo realmente esta acontecendo. Nada breve, estende-se por minutos sem fim, e todos os membros preparados e olhando para o baterista Joey LaCaze se perguntam: “E aí?! Qual vai ser?”. EHG não toca com set-list e cada tema vem como surpresa… até para a própria banda!

Sister Fucker Pt.1 abriu o concerto e daí pra frente a freqüência do baixo e a afinação gravíssima das duas guitarras tomaram conta do Underworld. O som, muito alto e a bateria bem microfonada, traziam toda a melancolia caótica no melhor de EHG. Brian Patton cresceu junto com o som, e o trio da frente formado por figuras muito diferentes – Mike, Brian e Jimmy – se completaram. Mike tem uma postura única no palco, ele e seu pedestal que por inúmeras vezes atingiu o teto baixo do sombrio Underworld. Brian está sempre envolvido com algum outro artista, segurando a vibe do som, e Jimmy, para além das linhas lentas e pesadas, é dentre todos um fã que está em cima do palco. Ao fim de cada tema ele é o primeiro a bater palma pros próprios caras e quase que invariavelmente puxar o próximo som.

Sem um setlist pré definido – marca da banda de ir com o flow do show – fica muito complicado lembrar quais foram os temas tocados, mas pra quem ta assistindo é impressionante a diferença que faz no desenrolar do show. Como se a banda tocasse sempre o som certo pr‘aquele momento. Algumas faixas sempre marcam mais o show, como New Orleand is the New Vietnam e a inconfundível Dixie Whiskey. Em meio ao show, quem aparece novamente ao palco? A doida embreagada… mas desta vez Mike não perdoa! Após mostrar os peitos pra galera, Mike da-lhe um safanão que lhe manda pra roda “Good bye, b*tch!“.

Infelizmente ela não seria a única perturbação ao show… já na segunda metade, o amplificador do baixo pediu água. Técnico de som no palco, mais piadas e estórias do fantástico mundo de Mike. O problema não durou muito para ser arrumado. Também não tardou a retornar. Mais dois sons – Story of the Eye / Southern Discomfort – e o amp caiu novamente. Impossível explicar a vibe que estava naquele local. A banda não fez firula e enquanto o técnico suava para arrumar o prejuízo, Mike aproveitou e iniciou um parabéns em ritmo doom para o baterista LaCaze! Brinde de Vodka e o show continua. White Nigger e a fantástica Jack Ass in the Will of God foram outras duas músicas tocadas antes que o amp realmente acabasse com a paciência dos caras.

Mike se mostrou meio frustrado com a situação, enquanto Jimmy berrava: “Não páre pô, vamos tocar, vamos!!! Toca essa porra!” Era esse o clima do Underworld, mesmo com mais de 1h de show, ninguém queria parar. E verdade seja dita… as guitarras e seus tons pulsantes são tão graves que daria perfeitamente para continuar o show sem o baixo. Aposto que mais da metade do publico nem notou a falta do instrumento. De qualquer maneira, Gary estava ali pra tocar e não queria ficar de mão abanando. O publico mostrou um grande apoio, e enquanto Mike e Joey deitavam a vodka, Brian tomou a iniciativa de pegar um outro amplificador que estava no backstage, provavelmente do Church of Misery, e trouxe correndo pro palco – trabalho rapidamente executado.

Um final de show caótico que estranhamente muito tem a ver com toda a vibe da banda – desprendida, descompromissada e diversão acima de tudo. Após o show, alguns membros ficaram pelo palco cumprimentando os fãs que não os deixaram. Mike despediu-se agradecendo a um show memorável. Idem!

 

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