Live Review – Mastodon @ Roundhouse, Camden, London.
Buscando seu espaço e se firmando como ato principal nos anos que se vêm a seguir, Mastodon trouxe ao público londrino pela segunda vez a turnê do novo e aclamado Crack The Skye, um álbum que não apenas quebrou barreiras no conceito moderno de progressividade, mas que também renovou completamente a forma como os americanos de Atlanta abordam suas performances.
Não há um mínimo de hesitação por parte de qualquer membro da banda quanto ao novo álbum. De fato, a crença na qualidade do mesmo é tão grande que foi uma decisão unânime em encarar uma extensa turnê mundial como headliners em que Crack The Skye seria executado na íntegra, da primeira à última faixa. Como mais um expectador, feliz fiquei em poder desfrutar tal performance ao vivo, e neste ponto, Mastodon acertou em cheio!
Crack The Skye é tão distinto dos primeiros 3 álbuns da banda (4 se contarmos a coletânea de demos e EP’s entitulada Call of Mastodon), que misturar tudo em um set list seria um tanto incoerente, pouco cativante talvez. Não encontramos na raiz do álbum aquela agressividade e cacofonia marcantes, mudanças precisas de tempo e uma base nada linear que sempre caracterizou a banda. Muitos podem escolher serem sínicos a respeito da direção tomada por eles, que optaram por Brendan O’Brien para produzir o álbum (reconhecido produtor de Bruce Springsteen), ou tentar justificar com argumentos que o novo álbum é demasiado “mainstream”, que eles se venderam… aliás julgar é sempre mais fácil que bem executar. Em minha opinião Mastodon não teve medo de desafiar sua criatividade, visitar lugares onde sua capacidade musical nunca antes houvera explorado, de uma maneira real e coerente. Magnificente, aliás!
Após Timoshi acabar sua apresentação, que pouco conseguiu empolgar o público presente, Mastodon subiu ao palco. As primeiras diferenças são logo notadas. Rich Morris, tecladista que contribuiu com a banda nas gravações do novo álbum também está presente no palco. Além de Troy Sanders e Brent Hinds, os dois front-men e vocalistas, Brann Dailor, principal letrista de Crack The Skye e baterista da banda também ganha um microfone, e é ele quem abre o show com “Oblivion”, talvez a performance mais balanceada da banda, entre técnica, melodia e progressividade; provando por que este é o segundo single escolhido para Crack The Skye.
Ao fundo, o telão mostra a cada verso e faixa a história do álbum. Não me pergunte quanto ou que tipo de alucinógeno foi consumido, mas aquém do tema principal, o suicídio da irmã de Brann em tenra idade, a história ganha viagens astrais, cordões fluídicos, éter, cinco elementos, buraco-negro, cultos secretos e o místico russo Rasputin, preso no corpo de um paraplégico. Ufa! Sim, tudo detalhadamente sincronizado, telão e banda.
A levada mais sóbria e linear de “Divinations” seguiu como segunda faixa, que ganha uma áurea estelar com a harmonia das guitarras. Os três compartilham verso a verso o microfone, e ao vivo, vê-se claramente o papel do teclado que segura o ambiente das canções.
“Quintessence” dá-nos o tom do novo Mastodon. Uma faixa distante de ser linear mas que também convenientemente altera explosões técnicas agressivas com uma performance limpa e crua, um clima denso e uma arritmia bem controlada por todos integrantes. “The Czar” é talvez a faixa que carrega a bandeira épica de Mastodon. 10:54min, é uma viagem em tempo e espaço, uma melodia precisa e cativante que abre alas aos anos 60 e 70 e os convida para participar em conjunto com o público presente. Em meio ao extenso solo, grande parte do público tinha os olhos fechados, em êxtase, acompanhando Brent Hinds cada um com sua versão em air-guitar.
Aproximando do final, “Ghost of Karelia” e “Crack The Skye” alteram o ambiente colorido das faixas anteriores. Densos e obscuros, estes temas perturbam o ambiente, e a acústica característica do Roundhouse paga seu preço e justifica sua escolha, retribuindo ao público a clareza dos riffs pesados e pedais duplos realizados com extrema destreza pela banda. Bill é quem carrega os riffs e a aura metal da banda. Brent vive para fazer solos. A combinação destes guitarristas com a notável leitura das músicas por parte de Troy no baixo é de se contemplar. Rich adiciona um ambiente que se aproxima do gótico na faixa “Crack The Skye”, os vocais neste ponto estão fazendo valer o espetáculo. Soam mais como um quinto instrumento adicionando toda uma nova experiência. O ambiente criado é tão grave que perecemos sentir nossos órgãos vibrarem com o ritmo da faixa, que logo abre as portas para a experimental e última faixa do álbum “The Last Baron”
Mais de 13 minutos e aí é quando se vê o quanto esta banda se categorizou e se auto-estabeleceu distinta e soberana em um gênero que traz a cada dia uma nova banda aspirante. Notoriamente felizes em palco, os cinco em palco se divertem, e em uma expressão singular de suas capacidades demonstram com grande perfeição uma execução exemplar. “The Last Baron” traz a cacofonia em uma roupagem renovada, um tema muito técnico com extrema precisão. Um final perfeito para um show de elevado nível. A banda se retira do palco muito aplaudida.
Ao fundo, o telão mostra a cada verso e faixa a história do álbum. Não me pergunte quanto ou que tipo de alucinógeno foi consumido, mas aquém do tema principal, o suicídio da irmã de Brann em tenra idade, a história ganha viagens astrais, cordões fluídicos, éter, cinco elementos, buraco-negro, cultos secretos e o místico russo Rasputin, preso no corpo de um paraplégico. Ufa! Sim, tudo detalhadamente sincronizado, telão e banda.
A levada mais sóbria e linear de “Divinations” seguiu como segunda faixa, que ganha uma áurea estelar com a harmonia das guitarras. Os três compartilham verso a verso o microfone, e ao vivo, vê-se claramente o papel do teclado que segura o ambiente das canções.
“Quintessence” dá-nos o tom do novo Mastodon. Uma faixa distante de ser linear mas que também convenientemente altera explosões técnicas agressivas com uma performance limpa e crua, um clima denso e uma arritmia bem controlada por todos integrantes. “The Czar” é talvez a faixa que carrega a bandeira épica de Mastodon. 10:54min, é uma viagem em tempo e espaço, uma melodia precisa e cativante que abre alas aos anos 60 e 70 e os convida para participar em conjunto com o público presente. Em meio ao extenso solo, grande parte do público tinha os olhos fechados, em êxtase, acompanhando Brent Hinds cada um com sua versão em air-guitar.
Aproximando do final, “Ghost of Karelia” e “Crack The Skye” alteram o ambiente colorido das faixas anteriores. Densos e obscuros, estes temas perturbam o ambiente, e a acústica característica do Roundhouse paga seu preço e justifica sua escolha, retribuindo ao público a clareza dos riffs pesados e pedais duplos realizados com extrema destreza pela banda. Bill é quem carrega os riffs e a aura metal da banda. Brent vive para fazer solos. A combinação destes guitarristas com a notável leitura das músicas por parte de Troy no baixo é de se contemplar. Rich adiciona um ambiente que se aproxima do gótico na faixa “Crack The Skye”, os vocais neste ponto estão fazendo valer o espetáculo. Soam mais como um quinto instrumento adicionando toda uma nova experiência. O ambiente criado é tão grave que perecemos sentir nossos órgãos vibrarem com o ritmo da faixa, que logo abre as portas para a experimental e última faixa do álbum “The Last Baron”
Mais de 13 minutos e aí é quando se vê o quanto esta banda se categorizou e se auto-estabeleceu distinta e soberana em um gênero que traz a cada dia uma nova banda aspirante. Notoriamente felizes em palco, os cinco em palco se divertem, e em uma expressão singular de suas capacidades demonstram com grande perfeição uma execução exemplar. “The Last Baron” traz a cacofonia em uma roupagem renovada, um tema muito técnico com extrema precisão. Um final perfeito para um show de elevado nível. A banda se retira do palco muito aplaudida.