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Live Review – Baroness @ London Underworld


*confira galeria de imagens na seção de fotografias, ou clique aqui.

Eduardo Piloni, para o Mondo Metal
Londres, 19 Jan 2010

Esta seria a 6ª vez que Baroness iria passar pelas ilhas britânicas, sua turnê européia que passando pela Bélgica, Holanda, França, Alemanha, Dinamarca e Escócia, também no Reino Unido; embalados pelo lançamento do impactante “Blue Record” que teve um trabalho nada fácil de seguir o aclamado “Red Album”, Baroness ainda este mês tocará no Soundwave em 5 datas na Austrália e 3 no Japão.

O metal renova-se constantemente, e tem sido comum na última década novas bandas explorarem a complexidade e técnica das composições, ganhando rápida distinção e reconhecimento global. É exatamente neste ponto que Baroness se difere da maioria dos seus companheiros do gênero, como Mastodon, Kylesa e Isis. A proposta da banda é evidentemente simples, naturalmente genuína e extremamente cativante. Como se a legacia de Black Sabbath e Led Zeppelin aqui se encontrassem despropositadamente, de uma maneira moderna – na pegada das guitarras, no groove das batidas e como a composição em si extende-nos um convite para uma viagem conjunta – o artista e seu público. Para quem terá o prazer de ouvir pela primeira vez Baroness, uma boa viagem!

A noite na Inglaterra começa cedo, e 21:15h em ponto, membros a postos, e logo as guitarras começam a falar mais alto. Nada de samplings, triggers ou efeitos de mesa. O vocalista, frontman e mente criativa do grupo John Baizley inicia os timbres que ditarão o rítimo na próxima hora, acompanhado sempre pelo novo guitarrista Peter Adams. “Bullhead’s Psalm” é a obra que inicicia o espetáculo, e com sua levada crescente embala o público que enchia de sorrisos e satisfação o Underworld. As 3 primeiras faixas do novo álbum abrem o concerto, fortificando a estrutura escolhida para “Blue Álbum”.  “The Sweetest Curse” e “Jake Leg” têm uma levada distinta e Allen Blickle demonstra-se muito mais confiante com sua pegada distinta, e passeia carregando as guitarras sempre afiadas que fazem esta banda.

A intimidade dos dois guitarristas é nítida. Grandes amigos de infância, a harmonia se evidencia em palco, dando ao concerto uma nova dimensão. O vocal sujo e imponente de Baizley traz um peso constante à cada tema. Soando como um quinto instrumento, contrasta propositadamente com a beleza das cordas, auxiliado também no backing vocal por Peter, que mostra-se extremamente a vontade e trouxe muita vivacidade às atuações da banda, explorando a dimensão do palco com destreza, comunicando-se ao longo de todo o show com o público e seus colegas de banda – Allen Blickle na bateria e Summer Welch no baixo.

Uma pequena pausa com muito barulho das guitarras, uma medley com a cover de Machine Gun (Jimi Hendrix) Baroness abre a porta para a parte mais ativa do set, com as consagradas “Isak” e “The Birthing” do Red Album. É impossível não notar a reação do público, alguns completamente extasiados com os riffs cativantes dos temas e outros atônitos, boca meio aberta em perplexidade não escondendo um grande sorriso de satisfação. Ao lado da banda, a massa da imprensa tomava nota e registrava imagens, e sim, todos com um grande sorriso no rosto!

Voltando ao novo álbum, Baroness mostra que é um trabalho que vem para ficar. Não é a toa que foi eleito pela Decibel Magazine o melhor álbum de 2009. A banda vive em um show todas as fases de sua carreira, não esquecendo suas origens, tocando criações de seus primeiros EP’s intercaladas com expressões instrumentais que é uma constante na abordagem da banda. Vê-se nitidamente como Peter está presente no processo criativo do “Blue Record” que matém toda a aura da banda e traz consigo uma nova harmonia, rejuvenecida com momentos calmos e picos explosivos.

Ao passo que a apresentação encaminha para seu fim, Allen mostra-se fundamental no desempenho do grupo, apresentando 2 precisos solos de bateria enquanto guitarras eram preparadas. Juntamente com Summer, fazem a parede perfeita e bem dosada entre o acompanhamento e o groove não linear que é uma constante. “Grad” é o tema que fecha o primeiro set da noite, e aquele que não deixou uma alma descansar no Underworld. Totalmente instrumental, é como uma continuação de “Rays On Pinion”(primeira faixa do Red Album), adicionando um teor de caos organizado entre os quatro integrantes, que se despediram satisfeitos e muito aplaudidos.

Quem não ficou tão satisfeito foi o publico que e ficou a posto até a banda retornar. John agradeceu muito a todos presentes e relembrou que Inglaterra foi o primeiro pais que a banda se apresentou fora dos EUA, e que tem um lugar muito especial na história da banda. Para fechar a noite, Towers Fall, a primeira faixa que a banda escreveu, parte de seu primeiro EP.  Não podia ter sido melhor!

Se houve algum desapontamento por parte do público, este só pode ser a sensação de “já acabou?”, com uma performance de 80 minutos que pareceram mais como 30. John Baizley, que quase não falou com o público durante toda a apresentação – imendando uma música na outra incessantemente -, fez questão de agradecer imensamente a todos presentes, distribuindo mais uma vez elogios ao sempre presente público londrino: “Se vocês nos virem nas ruas, vêm tomar uma cerveja com a gente… não estranhem, não somos “freaks”, não somos estrelas, somos apenas caras normais apaixonados por música como vocês”.

Não posso deixar de notar o impacto que o merchandising criado por Baizley traz ao espetáculo. Você pode comprar camisetas, e blusas (sim, como todas as outras bandas), mas também telas profissionais com o fantástico artwork dos álbum, e todos os materiais só podem ser encontrados no recinto, não estão a venda online, o que dá uma sensação especial para o fã que irá usar. Ah, e tudo por um valor bem acessível!

Baroness caminha consciente na exigente estrada do mundo metal. Sinto que ainda é um prazer vê-los em palcos menores, onde a força expressada pela banda consegue alcançar a todos os presentes com a mesma intensidade, mas como previ há alguns anos, sabia que não tardaria para estes que aqui se apresentaram estarem figurando nas maiores arenas do rock. Soundwave here they go!

Baroness set list:
Bullhead’s Psalm / The Sweetest Curse / Jake Leg / Machine Gun (Jimi Hendrix cover) / Isak / The Birthing / Ogeechee Hymnal / A Horse Called Golgotha / War, Wisdom and Rhyme / Steel That Sleeps the Eye / Swollen and Halo / The Gnashing / Red Sky / Wanderlust / Grad / Tower Falls